Workshop de Interpretação para Cinema no GO FILM

Dia: 28/10/2017
Horário: 10-13h (podendo extender horário)
Local: Sala 3 Cinemas Lumiére
Shopping Bougainville




Texto 1- Personagem Ela.


Ela fala para ao espelho.) Escuta aqui Frederico, eu vou resumir: eu não agüento teu cheiro. Não, pior: eu odeio teu cheiro. Teu cheiro é uma bofetada. Sabe resto de carne que fica preso no fio dental? É o fedo da tua pele. Você provavelmente já esteja acostumado, Frederico, ou não perceba, ou não se importe. Mas eu não agüento mais. É como namorar uma pilha de louça suja. Na real, fazendo as contas, eu só gosto mesmo é do seu apartamento. A vista da janela do quarto é o máximo, quando você não está nele, né. E a sua coleção de DVDs. Mas o teu cheiro, Frederico… ao teu lado eu me sinto lixo orgânico. (Ela duvida.) Não. Também não é culpa dele, coitado. Assim eu mato ele. (Olha pro espelho. Sincera.) Freddy, você precisa entender: a gente é muito diferente. Se eu ficar contigo, eu vou te fazer sofrer. Você é legal, é divertido, me faz rir… é o cara mais interessante que eu conheço. Tem as suas coisas, eu tenho as minhas, mas não é por isso. É mais… uma questão de pele, sabe? Não rola… parece meio que não combina, não bate na mesma freqüência, sabe como é? Uma questão de química, sabe… (Desiste.) Não. Não dá pra falar em ‘química’, ‘freqüência’… ele vai perceber. (Pensa. Olha pro espelho. Emocionada.) Fefê, me perdoa. Não é você, sabe? Sou eu. Você é a melhor coisa que já me aconteceu. Nossa, eu tive tanta sorte em te conhecer… tem um monte de mulheres por aí que iam adorar estar contigo. Eu devo estar fazendo uma grande bobagem, mas… eu tô precisando um tempo, sabe? Pra ficar sozinha, pensar um pouco em mim. Não é pra sempre, não. Um ou dois meses, entende? Vai ser bom. Pra poder voltar a sentir saudade um do outro. Eu vou pensar muito em você, amor. Lembrar da gente… sentir o teu cheiro… (Corta. Fria.) Não. ‘Sentir o teu cheiro’ também é demais. ‘Lembrar da gente’ tá bom. ‘Eu vou pensar em você, lembrar da gente…’ É, acho que é isso aí. (Ela recolhe suas coisas, retoca a maquiagem no espelho.) O resto eu improviso na hora. (Ela sai, decidida.)



Texto 2 - Personagem Ela. (Ela olha para o telefone com rancor. Pega o aparelho; desiste, respira. Pega o aparelho. Disca um número. O coração sai pela boca. Aguarda ser atendida; fala sem respiro.) Estou te ligando para dizer que você é um merda, Ricardo! Ah, não me reconhece? Você sabe muito bem quem é. Não, me escuta você. Acabou, entende? A- ca-bou. Cheguei no meu limite. Não, agora é você quem vai me ouvir. Eu estou calma! Eu estou calma!! Não. Pode passar pra pegar as suas coisas. Não quero nem mais um minuto a sua roupa na minha casa, as suas fotos, o anel de noivado… (Ela tira o anel e joga longe.) Os presentes, pode levar tudo, eu não quero nada! Pra mim deu, Ricardo! Não, escuta você: eu fui no ginecologista hoje. Estou com uma infecção. É, coisa séria! Vou ter que fazer tratamento com antibióticos, por culpa tua, Ricardo! Eu nunca tinha tido uma coisa dessas! Isso é coisa das duas ‘amiguinhas’. Você sabe que ‘amiguinhas’ eu falo! Não, não tem nada a ver com os meus! Nenhum dos meus amigos tem nada disso, ora, bota essa boca pra lá antes de falar dos meus amigos! Quando você falou pra gente abrir a relação, você prometeu que ia se cuidar! Você não cumpriu sua promessa, Ricardo! Eu sempre me cuidei. Com o Bernardo eu me cuidei. Com o cara da academia eu me cuidei. Com o cara que eu conheci na locadora eu me cuidei, aliás com os dois caras, porque eram dois. Com o vizinho do oitavo eu me cuidei, quer dizer, na verdade não, porque nem precisou, maior fiasco. Mas em resumo: eu não sou uma qualquer, entende, Ricardo? Exijo um pouco mais de respeito… alô, Ricardo? (Ela ouve.) Ah, seu Darlei! Nossa, é que tem a voz tão parecida! Como é que vai o senhor? É, eu vou bem, mais ou menos, uns probleminhas aí… o senhor poderia me passar com o seu filho? Não, não é nada sério, não, uma bobagem, o plano cobre, não se preocupe… está tudo bem, tudo sob controle. Nossa, mas vocês têm mesmo a voz parecida! O… Ricardo se encontra? Não? Que horas ele volta? Só amanhã? (Ela se desanima. Pensa.) Não, tudo bem, eu ligo depois. Obrigado, seu Darlei. Até mais. (Ela desliga. Fica sem graça. Pensa. Balança as pernas. Olha em volta. Pega novamente o telefone. Liga.) Alô! Seu Darlei? (Ela fala baixo.) O… senhor tem alguma coisa pra fazer hoje à noite?



Texto 3 - Personagem Tião. TIÃO – (num grande desabafo) – Medo, está bem Maria, medo!... Eu tive medo sempre!... A história do cinema é mentira! Eu disse porque eu quero sê alguma coisa, eu preciso sê alguma coisa!... Não queria ficá aqui sempre, tá me entendendo? Tá me entendendo? A greve me metia medo. Um medo diferente! Não medo da greve! Medo de sê operário! Medo de não saí nunca mais daqui! Fazê greve é sê mais operário ainda!... Maria, minha dengosa, não chore mais! Eu sei, tá errado, eu entendo, mas tu também tem que me entendê! Tu tem que sabê por que eu fiz! Mas para de chorá! Se você quisé eu grito pra todo mundo... que eu sou um safado! (Gritando para a rua) Eu sou um safado!... Eu traí... Por que eu tenho medo... Por que eu quero bem! Por que eu quero viver! E viver não é isso que se faz aqui! Não, Maria, não! Viver, mesmo sem estar apaixonado, já é uma excelente ocupação. Viajar nas piores locomotivas, debaixo da chuva e vento, em plena tempestade de neve... tudo, na Terra, está tapado com as trevas, sepultado pela neve... é cansativo viajar num tempo desses, é até mesmo perigoso... mas mesmo assim, isso tem um certo encanto... existe encanto!... Só há uma coisa que eu acho absolutamente desprovida de encanto: é que nós devemos obedecer, eu e outras pessoas, aos canalhas, aos imbecis, aos ladrões. Mas a vida não pertence inteiramente a eles! O futuro não é deles! Eles vão desaparecer como desaparece um abscesso num organismo sadio! Não existe nada na vida que não possa alterar, mudar Maria!...




Observações:

- O texto deve ser decorado para o dia da oficina.
- Taxa: R$ 30,00 (trinta reais)
- Informações: gofilm@gofilmfestival.com.br




Paulo Vespúcio Garcia

O ator e cineasta, Paulo Vespúcio Garcia ministrará workshop intensivo de interpretação para o cinema no “GO Film Goiânia Film Festival” dia 28/10, no Cinema Lumière.

O cinema como meio de expressão é uma arte embrionária. Afinal, só 100 anos de história se passaram. As possibilidades técnicas e estilísticas são inúmeras e muitos são os caminhos ainda para se percorrer. O cinema já passou por várias transformações e revoluções, que estimularam o surgimento de movimentos que reinventaram a forma e o fazer cinematográfico.

O workshop que será ministrado pelo renomado artista Paulo Vespúcio terá o repasse de conteúdos teóricos e também exercícios práticos de câmera e improvisações, com a apresentação de um texto dirigido pelo cineasta. Através de improvisos e reflexões sobre a dramaturgia será oferecido aos atores um espaço de autonomia, porém com a proximidade necessária entre o diretor e o ator. É importante destacar, que esse encontro tem perdido espaço em detrimento a figura do preparador de elenco, por exemplo.

Esse curso, que visa abordar a atuação através da dramaturgia para o cinema acontecerá no dia 28 de outubro, no Cinema Lumière do Shopping Bougainville das 10h às 13h. Ficou interessado? Então se inscreva até o dia 23/10 preenchendo o formulário. Os selecionados serão divulgados na página do www.gofilmfestival.com.br e nas mídias sociais no dia 24 de outubro. A taxa de matrícula é R$ 30,00, caso selecionado. O participante obterá certificado de 3 horas. Corra! As vagas são limitadas.

Vespúcio, ator, diretor e roterista, foi criado pela mãe na Vila Carolina, em Rio Verde. Aos 15 anos, foi morar em Goiânia para estudar e jogar vôlei no Joquei Clube de Goiás e na seleção estadual. Começou a carreira como ator, trabalhando na peça Escola de Bufões, dirigida por Moacyr Góes. Ao assistir umas das atuações de Paulo no teatro, a atriz Glória Pires o convidou para participar da minissérie Memorial de Maria Moura (1994), catapultando sua carreira. Estreou no cinema em Um Céu de Estrelas (1996), de Tata Amaral, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Festival Internacional de Trieste, na Itália. Ficou conhecido por interpretar personagens nas novelas como Porto dos milagres (2001) e Laços de Família (2001), todos na TV Globo. Em 2014, escreveu e dirigiu seu primeiro longa, O Casamento de Gorete. FILMOGRAFIA COMPLETA


Condado Macabro (Atuação, 2015)
Justiça Divina (Atuação, 2014)
O Casamento de Gorete (Direção/Roteiro, 2014)
O Tempo Feliz Que Passou (Atuação, 2015)
Tudo Que Deus Criou (Atuação, 2015)
Chico Xavier (Atuação, 2010)
Destino (Atuação, 2009)
Didi, o Caçador de Tesouros (Atuação, 2006)
Preto no Branco (Atuação, 2005)
Irmãos de Fé (Atuação, 2004)
Maria: Mãe do Filho de Deus (Atuação, 2003)
Eclipse (Atuação, 2002)
Vida E Obra de Ramiro Miguez (Atuação, 2000)
O Dia da Caça (Atuação, 2000)
O Tronco (Atuação, 1999)
Um Céu de Estrelas (Atuação, 1996)

GO FILM FESTIVAL www.gofilmfestival.com.br